Artesão de Recarei aprendeu sozinho a arte de esculpir

José Gomes e a escultura de D. Afonso Henriques

José Gomes e a escultura de D. Afonso Henriques

Imagens de Cristo na cruz, com o tamanho de um homem, esculpidas em madeira, estão, cada uma delas, em capelas do concelho de Paredes, mais precisamente em Aguiar, Alvre (Aguiar de Sousa) e Santa Comba (Sobreira). As esculturas de arte sacra são da autoria de um artesão, natural de Recarei, que tem na escultura uma verdadeira paixão. Das mãos de José Gomes já saíram mais de 70 peças. Algumas delas vendeu-as, outras ofereceu-as, mas a maioria estão em sua casa, em exposição.

Depois de vir de Angola, com 22 anos de idade, começou a esculpir. O primeiro trabalho que fez foi uma santa em madeira, com cerca de dois metros de altura, que, por ser colocada no exterior, acabou por apodrecer. Mas o gosto ficou-lhe entranhado nas veias e por isso, nas horas vagas, começou a desenvolver muitos e variados trabalhos. Em madeira tem pés de mesa com figuras humanas, um Santo António, um D. Afonso Henriques com 1,62 metros de altura, e muitas outras figuras da História de Portugal e da religião católica.

Algumas das suas peças já estiveram expostas num espaço público da cidade de Paredes, há mais de 20 anos, mas, e por receio de que alguma se danifique, o escultor prefere mantê-las em casa. É na sala que estão expostos grande parte dos seus trabalhos.

A caminho dos 63 anos de idade, José Gomes espera agora, que se reformou, ter mais tempo disponível para dar asas à sua criatividade. “Estava ansioso por me reformar para me dedicar mais a isto. Agora que estou reformado vou ter mais tempo para fazer o que realmente gosto”, referiu. Ideias e projectos não lhe faltam. Agora, mais de 40 anos depois de ter começado a fazer esculturas em madeira, vai aventurar-se a esculpir pedra. Os primeiros trabalhos já estão prontos e expostos no jardim da sua casa. Tratam-se de figuras da mitologia grega.

Na preparação desta nova etapa da sua vida, o artesão falou com a nossa reportagem, tendo confessado que “sinto-me muito bem quando estou a fazer estes trabalhos. Não os faço para vender, mas se alguém os quiser comprar, podemos conversar sobre isso. Sinto-me realizado a fazer estas esculturas. É o que realmente gosto de fazer”.

A nível profissional, José Gomes foi sempre serralheiro. Trabalhou durante mais de 45 anos em vários locais. Esteve alguns anos no Iraque em trabalho, onde viu algumas das ideias que projecta nas esculturas que faz.

Dos dois filhos que tem, nenhum deles tem o gosto e a habilidade do pai para as esculturas. Mas nem por isso o incentivam a parar, pelo contrário. Os filhos de José Gomes sentem orgulho na “paixão” do pai e encorajam-no a continuar a esculpir.

A matéria-prima dos seus trabalhos, seja pedra ou madeira, é oferecida ou então é encontrada no lixo. Depois é transformada pelas mãos do artesão, que nunca teve formação em escultura, em autênticas obras de arte.

José Gomes é natural de Recarei, onde mora (em Terronhas), mas já residiu em Aguiar de Sousa. Na família não conhece nenhum artista, apenas uma avó que era a parteira da freguesia.

Sociedade
05-02-2010
Anabela Machado
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